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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Biometria uma falsa democracia.


Em 1996 as urnas eletrônicas começaram a ser usadas em todo o território nacional. Naquele ano os brasileiros das cidades com mais de 200 mil eleitores – na proporção de 1/3 do eleitorado – votaram nelas pela primeira vez. Em 1998 todas as cidades com mais de 40 mil habitantes, na proporção de 2/3 do eleitorado usaram as urnas. No ano de 2ooo todos os 107 milhões de pessoas usaram as máquinas. Naquela época nenhum outro país tinha ido tão longe quanto o Brasil na adoção dos votos pelo computador, apesar de já existir o voto eletrônico em países como os Estados Unidos, Japão, França e Alemanha.

Em 1996 surgiram várias críticas contra as urnas por não conseguirem chegar a uma opinião pública. Muitas críticas foram levadas ao TSE pelo fato de as urnas não emitirem documentos fiscais que comprovasse a auditação do voto, além de que as urnas eliminaram várias etapas que tradicionalmente existiam no processo de fiscalização. Nesse mesmo ainda era possível à impressão em papel confirmando o voto do eleitor, assim o eleitor poderia conferir seu próprio voto, independente da fiscalização do TSE. Mas isso se deu somente nas primeiras urnas utilizadas no Brasil. Em 1998 foi abolida a impressão do voto o que se tornou impossível de fiscalizar a urna por falta de documentos pra isso. O mais interessante é que o fato de aparecer na tela o nome, a foto e o número do candidato isso não quer dizer que seu voto foi computado para o seu candidato. Um software desonesto pode totalizar o voto para outro candidato.

Desde quando o TSE instalou as urnas eletrônicas afirmando que era para evitar as fraudes sempre houve especulações quanto à segurança do voto eletrônico. Agora o TSE está implantando outro sistema que segundo eles anularia as tais fraudes, esse sistema já é adotado em alguns países desenvolvidos, é o chamado sistema biométrico.

Mas em que consiste este sistema biométrico?

O sistema biométrico foi desenvolvido por pesquisadores europeus, eles desenvolveram um sistema que utiliza sensores para analisar padrões cerebrais e o ritmo do batimento do coração com o objetivo de identificar uma pessoa, segundo eles esse novo sistema estará no centro de sistemas de segurança no futuro, garantindo uma ferramenta capaz de identificar as pessoas ao mesmo tempo em que diminui as possiblidades de serem enganadas. A biometria utiliza-se da leitura das digitais da palma da mão direita e o scanner da retina. Neste exato momento, você leitor, deve estar pensando o que tem de errado nisso, qual o perigo que isso pode nos trazer. Quais as consequências? Bom realmente não teria nada de errado se Deus não tivesse nos alertado sobre isto.

Bom amados, vejamos o que a Bíblia nos diz sobre isso:
   
“E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.”  Apocalipse 13, 16-17

Quais as consequências trazidas para quem aceitar a marca?

“E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.” Apocalipse 14, 9-10

Mas saiba amigos leitores que eu não estou afirmando que a biometria é a marca da besta descrita no livro de apocalipse, mas é evidente que pode sim ser a marca, acredito que como cristão estou fazendo a minha parte mesmo sabendo que e uma contribuição mínima, cabe a cada um de vocês pesquisarem mais sobre o assunto e assim tirar suas próprias conclusões, (Examinai tudo, retende o bem. 1 tessalonicenses 5:21) sendo ou não à marca, não quero e não vou participar deste sistema. Vocês já pararam pra pensar, se as eleições é realmente uma forma de democracia porque então sou obrigado a votar, e adotar um sistema que vai contra as minhas crenças?
 Aqui em Goiânia o recadastramento para o novo sistema biométrico é obrigatório para os eleitores goianos, sendo que o não comparecimento acarretará no cancelamento do título

Quem não se recadastrar não poderá:

*Obter empréstimo em qualquer estabelecimento de crédito
*Renovar matrícula em escolas e universidades oficiais
*Inscrever-se em concurso público
*Tirar passaporte, identidade e CPF.
*Receber remuneração se for funcionário público

Cadê a democracia nisso tudo? Hoje, como no tempo do fio do bigode, o que vale é a palavra do TSE.

Caros leitores esta foi uma análise superficial deste assunto, visto que não tenho costume de escrever peço que me perdoem qualquer discordância que possa haver neste texto. É o primeiro texto de minha autoria que posto neste blog.

Por: Rary Alexandre

Aqui vai alguns links pra você que queira saber mais sobre essa nova farsa.

Se você quer se juntar a nós contra essa farsa governamental aqui está o link para o abaixo assinado, você pode colaborar enviando também para seus amigos.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Malignidades: Desenhos

Desenho infantil "Arthur", da TV Cultura, tem Ocultismo, Bruxaria e Espiritismo!

Arthur
Por acaso, enquanto trocava de canais na TV, vi que estava passando na TV Cultura o desenho "Arthur". Eu já havia visto algumas partes deste desenho, enquanto trocava de canais em outras oportunidades, mas nunca havia parado para assistí-lo. Sempre me pareceu um inocente, singelo e infantil desenho. Mas desta vez foi diferente: estava passando um episódio, chamado "Prunella Ganha Dois Presentes Iguais", em que uma das personagens era acordada no meio da noite por dois fantasmas. Resolvi segui assistindo e fiquei espantando com a quantidade de símbolos ocultistas (alguns satânicos mesmo!) presentes no desenho. Fiz uma pesquisa mais apurada sobre o desenho e o resultado está abaixo.
Arthur

O episódio 71: "Prunella Ganha Dois Presentes Iguais"
Este foi o que assisti na TV Cultura, em 25/08/2009. É o episódio de número 71, o sexto episódio da quarta temporada. Descrição do episódio encontrada na Internet (Wikipedia): "É aniversário de Prunella e ela ganha duas bonecas Polly Locket: uma de sua irmã e outra de Francine. Prunella não gosta muito da segunda boneca que ganha e percebe que Francine fica triste o aniversário inteiro. Prunella se preocupa e, em seus sonhos, se transforma em um fantasma e acompanha toda a trajetória de Francine para comprar a boneca".
Porém no desenho fica claro que as "experiências espirituais" não se limitaram a uma parte de um sonho. Veja algumas informações sobre a personagem Prunella encontradas na Internet (Wikipedia): "Prunella Deegan está na quarta série, é um ano mais velha do que a maior parte dos outros garotos. É um pouco peculiar e sensível, mas ela também é muito doce. Ela lembra muitas vezes as crianças mais velhas e sábias e é muito generosa com seus conselhos. Ela é interessada em yoga, cartomancia e fenômenos paranormais".
Como pode um desenho tão aparentemente inocente ter elementos tão impróprios para crianças? Este desenho é de origem canadense e passa em canais de TV de vários países, inclusive na BBC!
Continuando o episódio:
Esta personagem em pé, de vestido azul e laço na cabeça é Prunella. Seu quarto é recheado de símbolos e objetos ocultistas. Veja que pendurados no teto tem os símbolos Yin-Yang, um cristal e uma Ankh. Na parede uma grande mandala com os símbolos do zodíaco, mostrando que a personagem também tem ligação coma Astrologia.
A personagem que está abaixada é sua irmã, Rubella. Veja a descrição sobre a personagem Rubella na Internet (Wikipedia):"Rubella é a irmã mais velha de Prunella. Ela é muito espiritual e obssecada por fenômenos paranormais e psíquicos. Ela é tipicamente retratada como uma pessoa mística e geralmente fala em tom dramático". Nas imagens deste episódio fica fácil perceber que ela parece uma hippie!
A mãe de Prunella e Rubella também é do mesmo tipo: "Wanda Deegan gosta de yoga e de granola".
Veja mais imagens do quarto de Prunella, a personagem principal do episódio "Prunella Ganha Dois Presentes Iguais":
Veja que além do já mostrado, o quarto dela tem uma mesa com uma bola-de-cristal, vários símbolos de bruxaria (como o lua-estrela, que está por toda parte), e o mais espantoso: acima da cama dela, na parede, está o símbolo que representa a Alta Cúpula do Satanismo, chamado "Olho de Lúcifer" ou "Olho que Tudo Vê". Eu demorei para acreditar quando vi aquele símbolo no desenho!
Veja mais imagens do quarto de Prunella, tiradas deste mesmo episódio:
Repare que as madeiras nas pontas da cama tem o formato de obeliscos!
Seguindo com o episódio, nesta noite, enquanto Prunella dorme lhe aparecem dois "fantasmas":
Apesar de assustada, Prunella disse que não acreditava em fantasmas, então um dos "fantasmas" (a mulher) a transformou em um "espírito" e as duas foram parar em outro lugar. Onde estavam, ficavam flutuando:
Nesta hora a "mulher-fantasma" diz no meio da conversa com Prunella: "eu sou fantasma, eu nunca erro".
Nesta hora, para sua surpresa, Prunella é atingida por uma bola que estava sendo jogada por alguns garotos. Ela pergunta para a "mulher-fantasma" como a bola a atingiu se ela era uma "fantasma". Então a "mulher-fantasma" lhe responde dizendo que não tem como lhe explicar as regras! Acho que neste momento devo lembrar-lhes que estamos analisando um "inocente e singelo desenho infantil"!
Ainda neste episódio, no seu aniversário Prunella não gostou de receber uma boneca que já tinha ganhado, mas adorou receber uma caixa com materiais esotéricos.
No final do episódio (cena acima) acontece algo muito claramente satânico: Prunella está conversando com Francine enquanto as duas estavam se encaminhando para o almoço na casa de Francine. Neste momento o "fantasma" (demônio) mostrado na imagem (atrás delas) sussurra o que ia ter de almoço na casa de Francine. Sem perceber, Prunella repete o que o "fantasma" disse e Francine fica assustada ao ver que Prunella já sabia o que ia ter no almoço.
A própria Prunella fica espantada ao ver que "advinhou" o que ia comer no almoço da casa de Francine. Não sei nem o que dizer diante de tão explícita cena do que vou chamar de "experiência espiritual com demônio". Fica muito claro que a fonte das "advinhações" de Prunella é demoníaca!
O episódio termina com o "fantasma" soltando uma assustadora gargalhada.
Reencarnação
Este episódio tem ainda uma cena em que a personagem Prunella faz uma clara referência à reencarnação, dizendo que havia sido uma princesa em uma "vida passada".
Propaganda
Encontrei outro problema neste episódio: houve claramente uma exagerada propaganda da boneca "Polly Pocket". Esta boneca é conhecida por estimular o consumismo infantil.

Outros episódios
Em uma rápida pesquisa na Internet encontrei vídeos de outros episódios do desenho, e em várias cenas são facilmente encontrados símbolos ocultistas:
Stonehenge
Em outro episódio ocorrem cenas em Stonehenge, um conhecido lugar místico e misterioso na Inglaterra.
Os personagens tocam numa banda lá (é um lugar totalmente isolado) em plena noite de lua-cheia.
De repente...
Surge um disco-voador no céu...
Ele para exatamente em cima das pedras, todos saem correndo e dele sai um extra-terrestre. Só fica um personagem (coelho) que faz contato com o E.T.
Isso tudo é muito sério, pois há toda uma história altamente maligna ligada a este local (Stonehenge) e várias teorias sobre como foi feito e o que exatamente era feito ali. Sabe-se que ocorriam rituais de religião celta que incluíam sacrifícios humanos! A suposta ligação com extra-terrestres também é cogitada por alguns, já que ninguém entende como pedras tão grandes foram parar em um local totalmente aberto e plano, sendo que as pedras mais próximas estavam há centenas de quilômetros de distância. A grande maioria dessas teorias são criadas por místicos, bruxos e esotéricos. No desenho "Arthur" tudo isso é passado às crianças!
Yin-Yang
É muito grande a presença, tanto sutil quanto explícita, do símbolo Yin-Yang no desenho. Veja cenas de outro episódio:
O botom em destaque, que o personagem está segurando, é colocado bem na frente do Yin-Yang! Certamente nada disso é por acaso...

Site do desenho
No site do desenho tem uma página sobre a personagem Prunella com muito esoterismo e ocultismo:
Uma página em que Prunella faz "advinhações"!
Um cartão sobre Prunella informa sobre suas "advinhações" e informa que o lugar que ela mais quer visitar é San Francisco! Qualquer pessoa que sabe informações básicas sobre o Satanismo sabe que o local onde ele mais atua é San Francisco, Califórnia, EUA. Um missionário, ex-satanista, afirma em seus livros que San Francisco é onde encontra-se a sede da Alta Cúpula do Satanismo.
No site ainda tem instruções sobre como fazer um "cootie catcher", que é um "sistema de advinhação" feito com papel.

Conclusão
Este desenho mostra que muitos produtores e empresas expressam o Ocultismo em suas criações e desejam influenciar as crianças com idéias e práticas malignas. Você está atento ao que seu filho está assistindo?
Deus te abençoe!


>> Autor: Gustavo Guerrear, editor do Tabernaculonet.
 Fonte: www.tabernaculonet.com.br

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Doze cartas a um novo convertido Parte XII

Décima Segunda Carta
Oração

Resta apenas mais um assunto para lhe apresentar nesta série de cartas. Em minha última carta mostrei a importância da Palavra de Deus e agora gostaria de falar da oração e de sua conexão com a vida espiritual. Ambas as coisas - a Palavra de Deus e a oração - estão sempre ligadas. Assim também foi nos benditos afazeres da vida de nosso Senhor. Após um longo dia de ministério, encontramos um registro como este: "Porém Ele retirava-se para os desertos, e ali orava" (Lucas 5.16); "E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus" (Lucas 6.12). O mesmo encontramos nos primórdios da igreja, pois quando surgiram dificuldades com respeito à distribuição das ofertas dos santos, o apóstolo disse, "Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas... nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra" (Atos 6.2-4). O apóstolo Paulo também uniu a Palavra de Deus à oração quando descreveu a armadura completa de Deus: "Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito" (Efésios 6.17,18).
Temos, além do mais, exortações diretas para a oração, como por exemplo, "perseverai na oração", "orai sem cessar", etc. (Romanos 12.12; I Tessalonicenses 5.17, e também Lucas 18). Se você ler também as introduções das epístolas de Paulo, verá como ele próprio agia de acordo com as suas exortações. À medida que você for seguindo o caminho do apóstolo, como nos é traçado no livro de Atos, chegará a pensar que ele nunca fez coisa alguma além de pregar; mas ao ler as introduções e outras partes de suas epístolas, você quase chegará a conclusão de que ele nunca fez outra coisa senão orar. Aproximando-se do exemplo de nosso bendito Senhor em Seus incansáveis trabalhos, iremos encontrar que Ele descobriu - sim, que Ele até mesmo aprendeu - a necessidade de esperar constantemente em Deus. De modo semelhante, a oração é uma necessidade para cada filho de Deus, pois em nós mesmos somos fracos e incapazes, totalmente dependentes, e a oração nada mais é do que a expressão de nossa dependência nAquele a Quem oramos. Sendo dependentes de Deus para tudo, nossas próprias necessidades nos levam correndo à Sua presença; e pela liberdade de acesso que temos por meio de Cristo, graças ao lugar que ocupamos e em virtude do parentesco que desfrutamos, é mister que "cheguemos pois com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça a fim de sermos ajudados em tempo oportuno" (Hebreus 4.16).

Como Orar

1. Nosso Senhor ensina como deveria ser, por assim dizer, a maneira de orarmos. Falando aos Seus discípulos acerca da época quando Ele estaria ausente, Ele diz, "E tudo quanto pedirdes em Meu nome Eu o farei"; e mais uma vez, "Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei" (João 14.13,14). Duas coisas estão envolvidas nisto. O nome de Cristo é nossa garantia para nos apresentarmos diante de Deus, diante do Pai, recordando-nos de que nossas únicas credenciais para essa aproximação encontram-se em Cristo somente. Com certeza isto nos dá confiança. Se fosse para pensarmos em nós mesmos, em nossas falhas e indignidades, nunca iríamos nos aventurar a entrar na presença de Deus; mas quando os nossos olhos estão voltados para Cristo, para o que Ele é em Si mesmo, o que Ele é para Deus, e o que Ele é para nós, lembrando-nos de que entramos na presença de Deus em toda a infinita aceitação que Cristo ali desfruta, somos levados a compreender que Deus tem prazer em nós - em nos aproximarmos, em nossas lágrimas e orações. Somos, assim, encorajados a nos aproximarmos de Deus, e a derramarmos nosso coração diante dEle a qualquer hora de tribulação ou necessidade.

Em Nome do Senhor

Mas pedir em nome de Cristo é mais do que usar o Seu nome como uma credencial de acesso; trata-se, na verdade, de nos apresentarmos diante de Deus munidos de todo o valor e autoridade daquele nome. Se, por exemplo, eu vou a um banco para sacar o dinheiro de algum cheque que recebi, estou retirando aquele valor em nome da pessoa  que assinou o cheque. Do mesmo modo, quando me apresento diante de Deus em nome de Cristo, estou apresentando minhas súplicas a Deus com base em todo o valor que aquele nome tem para Deus. É por isso que nosso Senhor diz que, "se pedirdes alguma coisa em Meu nome Eu o farei" (João 14.14), pois trata-se verdadeiramente de um gozo para o coração de Deus aceitar toda petição que é assim apresentada. A promessa é absoluta, sem qualquer limitação; pela simples razão de que nada poderia ser pedido em nome de Cristo que não estivesse de acordo com a vontade de Deus. Pois não poderíamos nos valer de Seu nome para qualquer pedido que não tivesse sido inspirado em nosso coração pelo próprio Espírito de Deus.
2. No capítulo 15 de João, nosso Senhor nos dá mais instruções a respeito do mesmo assunto. "Se vós estiverdes em Mim, e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito" (João 15.7). Podemos conectar isto com outra passagem: "E esta é a confiança que temos nEle, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve" (1 João 5.14). Vemos que é segundo a vontade de Deus, o que exclui tudo aquilo que não esteja neste caráter. Mas nosso Senhor diz, "tudo o que quiserdes", e isto nos traz diante de um aspecto muito importante da oração. Neste caso trata-se de algo condicional: "Se vós estiverdes em Mim, e as Minhas palavras estiverem em vós"; isto é, permanecendo em Cristo, lembrando-nos sempre de nossa dependência dEle para tudo, e de que sem Ele nada podemos fazer; e Suas palavras permanecendo em nós, nos moldando conforme a Sua vontade, nos fazendo conformes a Si mesmo, necessariamente iremos expressar Seus próprios pensamentos e desejos, e, consequentemente, o "tudo o que quiserdes" acabará sendo, neste caso, "segundo a Sua vontade". Será notado, ao mesmo tempo, que o poder de nossas orações depende de nossa condição espiritual. Trata-se de um princípio infalível. O mesmo é apresentado pelo apóstolo João: "Se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que os nossos corações, e conhece todas as coisas. Amados, se o nosso coração nos não condena, temos confiança para com Deus; e qualquer coisa que Lhe pedirmos, dEle a receberemos; porque guardamos os Seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à Sua vista" (1 João 3.20,22). Tiago também nos diz que, "a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos" (Tiago 5.16). Isto é de extrema importância, pois se negligenciarmos nosso estado espiritual, e como consequência perdermos nossa presente comunhão com Deus, nossas orações se tornarão frias e sem vida, degeneradas em uma repetição de verdades conhecidas ou de velhas frases, perdendo assim todo o seu significado e transformando-se em fórmulas mortas. As palavras se repetirão a fim de satisfazer a consciência, mas não expressarão qualquer necessidade sincera, e nenhum derramar da alma perante Deus, deixando de trazer qualquer tipo de resposta ou bênção. Cuidado com um tal estado de espírito! Ele geralmente é prenúncio de um descarrilamento na vida do crente, e, se não for reprimido a tempo pela graça de Deus, irá acabar lançando a alma em aberta vergonha e desonra ao nome de Cristo.

Comunhão com o Pai

3. Os usos da oração são múltiplos. Em primeiro lugar, o Senhor nos associou Consigo mesmo em todos os Seus desejos. Sim, nossa comunhão é com o Pai, e com o Seu Filho Jesus Cristo (1 João 1.3). Por isso, Deus espera que o nosso amor seja dirigido para tudo aquilo que é precioso ao Seu próprio coração. Ele nos incluiu em Seus interesses, e, portanto, quer que nos inteiremos da Sua vontade e que esta seja o objeto de nossas orações. Que imenso privilégio! Ele nos permite percorrer todos os Seus propósitos que nos são revelados na Sua Palavra; assistir com gozo ao cumprimento dos mesmos; observar a todos eles convergindo para a Pessoa do Seu amado Cristo e irradiando da mesma Pessoa, enquanto que tudo se reverte em glória ao Seu nome! Verdadeiramente, se formos capazes de entrar totalmente no gozo dessa esplêndida posição, pelo poder do Espírito, não deixaremos de ter um assunto ou um motivo para orar.
Além disso, podemos expressar em oração as múltiplas necessidades de nossas próprias almas. "Não estejais inquietos por coisa alguma: antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus" (Filipenses 4.6,7). O mais marcante nesta passagem é que ela é encontrada no mesmo capítulo em que o apóstolo nos assegura, "O meu Deus, segundo as Suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus" (Filipenses 4.19). Apesar desta bendita confiança que temos, continua válido o desejo de Deus para que nós, com toda a liberdade que temos como filhos, façamos conhecidas diante dEle as nossas petições; e embora Ele não nos prometa que sempre atenderá a todas elas sem distinção, Ele nos assegura que a Sua paz guardará os nossos corações. É desta forma, portanto, que se estabelece a confiança em nosso relacionamento para com Deus; que é formado o inestimável hábito de podermos abrir o nosso coração, sem reservas, para com Ele, e que é cultivada a intimidade de comunhão. 
Foi em relação a isto que o salmista exclamou, "Confiai nEle, ó povo, em todos os tempos; derramai perante Ele o vosso coração" (Salmo 62.8); e o apóstolo Pedro disse, "Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós" (1 Pedro 5.7).

Confiança e Fé

4. Deve ser acrescentado que a palavra de Deus dá grande ênfase à conexão da fé com a oração. Nosso Senhor diz, "Por isso vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis, e tê-lo-eis" (Marcos 11.24). Tiago também, após sua exortação para que se peça a Deus a sabedoria, diz, "Peça-a, porém, com fé, não duvidando" (Tiago 1.6); e em outra passagem, acrescenta que "a oração da fé salvará o doente" (Tiago 5.15). O mesmo encontramos em Hebreus, quando lemos que "sem fé é impossível agradar-Lhe: porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam" (Hebreus 11.6). É fácil compreender isto, pois certamente Deus tem o direito de contar com nossa confiança em Seu amor e no Seu caráter, e com nossa fé na Sua Palavra, uma vez que Ele já Se revelou tão plenamente a nós na Pessoa de Seu Filho. Por isso, seria uma desonra para o Seu nome se duvidássemos ao nos aproximarmos dEle. E assim como Ele espera que tenhamos confiança e fé, Ele deseja que contemos com Sua fidelidade e amor. Por isso o nosso bendito Senhor recorda a Seus discípulos, "vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós Lho pedirdes" (Mateus 6.8). E o apóstolo Paulo nos ensina que, "Aquele que nem mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes O entregou por todos nós, como nos não dará também com Ele todas as coisas?" (Romanos 8.32). Portanto, é o dom do Seu próprio Filho, Sua maior dádiva e a mais perfeita garantia do Seu amor, que é o fundamento sobre o qual podemos descansar, em completa confiança de que Ele não nos privará de qualquer bem, e que ainda Se deleitará em nos abençoar conforme o Seu próprio coração, e de acordo com o Seu próprio conhecimento de nossa necessidade.

Dependência do Espírito

5. Mais uma vez, toda verdadeira oração deve ser no Espírito Santo, e por meio dEle. (Leia Romanos 8.26,27; Filipenses 3.3; Judas 20). Ele é o poder para a oração, como também o é para toda atividade da vida espiritual. Somos, assim, totalmente dependentes do Senhor Jesus Cristo para termos acesso a Deus; dependentes do Espírito Santo para termos o poder para orar, e dependentes de Deus para recebermos as bênçãos que buscamos. Ao Seu nome seja dado todo o louvor!
Não vou me estender mais do que isto. Porém creio que você entenderá que devo exortá-lo quanto à importância de perseverar em oração. Não temos o direito de impor quaisquer normas ou regras quanto a este assunto, seja com respeito à hora ou à frequência com que se deve orar. Mas de uma coisa você pode ter certeza - nunca é demais orar. E se você permanecer na presença de Deus, encontrará sempre o momento e a disposição necessários à oração. Nossa responsabilidade é orar sem cessar, sempre mantendo sem interrupção a consciência de dependência, e de nossa necessidade da graça divina. Assim estaremos sempre lançando sobre Deus toda a nossa ansiedade, sempre desfrutando de liberdade de coração em Sua presença, e consequentemente estaremos sempre encontrando, no constante recebimento de Suas misericórdias, graça e bênção como respostas às nossas petições, as quais certamente se transformarão em novos temas para louvor e ações de graças.

Doze cartas a um novo convertido Parte XI


Nunca é demais darmos ênfase à importância e ao valor da Palavra de Deus. O amor a ela deveria verdadeiramente ser uma característica de todo crente; e não seria demais acrescentar que o nosso crescimento na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo está amplamente ligado a ela. Veja, por exemplo, o Salmo 119 e você irá constatar como ele está relacionado com cada fase na vida espiritual do salmista. Algumas de suas expressões podem bem nos deixar humilhados, na medida em que nos revelam o lugar que a Palavra ocupava em suas afeições. Ele diz, "Recrear-me-ei nos Teus estatutos: não me esquecerei da Tua palavra", "também os Teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros", "e recrear-me-ei em Teus mandamentos, que eu amo" (vers. 16, 24, 47). Em uma linguagem ainda mais forte, ele exclama, "Oh! quanto amo a Tua lei! é a minha meditação em todo o dia"; e ainda mais, "Pelo que amo os Teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino" (vers. 97, 127). Jó, de maneira semelhante diz, "as palavras da Sua boca prezei mais do que o meu alimento" (Jó 23.12). E desde aquela época até os nossos dias, a mesma característica sempre foi encontrada em todas as mentes sinceras, devotas e espirituais. Proponho, portanto, mostrar a você nesta carta alguns dos muitos aspectos nos quais a Palavra de Deus é apresentada, em sua relação com o crente.

A Palavra que dá Vida

1. É por meio dela que se dá o novo nascimento. "Segundo a Sua vontade, Ele nos gerou pela palavra da verdade." (Tiago 1.18). "Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" (1 Pedro 1.23). Nosso Senhor ensina a mesma verdade quando diz que o homem tem que "nascer da água e do Espírito" (João 3); pois a água é um bem conhecido símbolo da Palavra (compare com Efésios 5.26).
2. Assim como por meio dela se dá o novo nascimento, ela é também o alimento adequado para a nova natureza. Pedro assim declarou: "Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo: se é que já provastes que o Senhor é benigno" (1 Pedro 2.2,3). Somos constantemente lembrados de que "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mateus 4.4; Deuteronômio 8.3). A Palavra é, portanto, o alimento e sustento adequado para a vida espiritual, o meio de nos mantermos nutridos e fortalecidos em Cristo, à medida que seguimos em nossa jornada através do deserto, aguardando a volta do Senhor, ou a nossa partida para estarmos com Ele, o que é muito melhor. Digo em Cristo, pois, como você já sabe, o próprio Cristo é nosso alimento, tanto no sentido do maná ou do fruto da terra prometida (Êxodo 16.15, 31; Josué 5.11,12), como também, voltando ainda mais no tempo, o cordeiro assado no fogo de que nos fala Êxodo capítulo 12; e é somente na Palavra de Deus que Ele nos é revelado nestes Seus diversos caracteres. Se queremos colher o maná para nossa necessidade diária, temos que percorrer os evangelhos e epístolas, onde encontramos Cristo apresentado de uma forma especial para nós como o humilde Cristo encarnado; e do mesmo modo, se desejarmos nos alimentar dEle como o "fruto da terra", o Cristo glorificado, somos levados a buscar as epístolas, como Colossenses 3 ou Filipenses 3, que O apresentam em num caráter assim para nossa alma. As Escrituras são, deste modo, os "verdes pastos" aos quais o Bom Pastor quer levar o Seu rebanho.

Nosso Guia

3. A Palavra de Deus é nosso único guia. "Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra, e luz para o meu caminho." (Salmo 119.105). Quando Josué estava para introduzir o povo de Israel na terra de Canaã, o Senhor lhe disse, "Tão somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que Meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares. Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e então prudentemente te conduzirás" (Josué 1.7,8). Do mesmo modo como ocorre no Antigo Testamento, no Novo Testamento a Palavra de Deus é constantemente apresentada como nosso único guia, à medida que atravessamos este mundo cheio de perigos.
"Qual pilar de fogo numa noite atroz
E radiante nuvem na jornada ao dia;
Se nos ferem ondas deste mar veloz,
Tua Palavra é âncora, bússola e guia!"
(Leia Atos 20.32; 2 Tessalonicenses 3.14; 2 Timóteo 3.15-17; 2 Pedro 1.15; 1 João 2.27; Judas 3).

A Espada

4. A Palavra de Deus é nosso meio de defesa contra as tentações e "ciladas do Diabo", ao mesmo tempo em que é chamada de "espada do Espírito" (Efésios 6.17). Foi a única arma de nosso bendito Senhor durante a Sua tentação. A todas as seduções que Satanás colocou diante de Sua alma - e Satanás O atacou por todos os lados e de todas as formas - Ele respondia, "Está escrito...". Da primeira à última, Ele nunca expressou um pensamento sequer de Si mesmo, mas confiou a Sua defesa inteira e unicamente na Palavra de Deus. Consequentemente, Satanás ficou completamente sem poder algum contra o Senhor; não podia avançar um passo sequer, tendo que bater em retirada derrotado e frustrado em seu intento. E como aconteceu então, ele fica sem poder ainda hoje, quando é enfrentado da mesma maneira. Ele não pode tocar um crente obediente e dependente de Deus. Que todo crente, jovem ou velho, possa ter sempre isto em mente!

Doutrina e Santidade

5. A Palavra de Deus é o único padrão de doutrina e de prática. Por isso temos que provar pela Palavra tudo aquilo que nos for apresentado. Em cada uma das cartas às sete igrejas, lemos, "Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas" (Apocalipse 2.7,11,17,29; 3.6,13,22). Tanto elas como suas práticas tinham que ser avaliadas segundo o infalível padrão da Palavra. Do mesmo modo, com frequência o apóstolo Paulo recorda, àqueles a quem escreve, a responsabilidade de avaliar tudo à luz daquilo que ele havia ensinado. (Veja, por exemplo, em Gálatas 1.8,9; 1 Coríntios 15.1-11; 2 Tessalonicenses 2.15; 3.14.)
6. A Palavra de Deus é o meio pelo qual alcançamos santidade prática. Nosso Senhor assim orou, quando Se apresentou diante do Pai: "Santifica-os na verdade: a Tua palavra é a verdade" (João 17.17). É, portanto, somente pela aplicação constante da Palavra em nós mesmos, em nosso andar e em nossos caminhos, que vamos sendo gradativamente afastados do mal; do mesmo modo como é pela aplicação da Palavra por meio do Espírito que o Senhor, como nosso Advogado perante o Pai, lava os pés daqueles que são Seus. Esta é a obra que Ele, em Sua graça, tem executado em nosso favor. Não devemos, porém, nos esquecer da responsabilidade que nos cabe de continuamente nos julgarmos pela Palavra na presença de Deus. Quantas provas e repreensões seriam evitadas se fossemos mais fiéis neste particular! "Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados" (1 Coríntios 11.31). Sendo assim, o salmista pergunta, "Como purificará o mancebo o seu caminho? observando-o conforme a Tua palavra" (Salmo 119.9). E ele reafirma, "pela palavra dos Teus lábios me guardei das veredas do destruidor" (Salmo 17.4). É somente pelas Escrituras que aprendemos a vontade de Deus; e é pela aplicação da Palavra no poder do Espírito que somos separados, por um lado, daquilo que é contrário à Sua vontade, e somos levados, por outro lado, a nos conformar com essa mesma vontade. Isto se torna um processo constante no qual vamos atingindo uma santidade cada vez maior, cuja perfeição só é encontrada no Cristo glorificado à direita de Deus.

Obediência

7. Finalmente, gostaria de lembrá-lo do valor que Deus dá à obediência à Sua Palavra. Veja, por exemplo, a conhecida passagem, "Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra, e Meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada" (João 14.23). Veja que imensa bênção está condicionada a guardarmos a Sua Palavra! Por isso jamais deveríamos passar por alto o fato de que nesta passagem é inteiramente condicional a promessa do amor do Pai e de Sua vinda juntamente com o Filho para fazer morada conosco. E ainda no capítulo seguinte, Ele diz, "Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor; do mesmo modo que Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai, e permaneço no Seu amor" (João 15.10). Embora sem querer multiplicar as citações, pode-se acrescentar o versículo que se encontra no final do registro sagrado, quando Ele diz, "Eis que presto venho: Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro" (Apocalipse 22.7). Desta forma Ele não apenas espera que apreciemos e entesouremos aquilo que Ele Se dignou a nos comunicar, mas também que nos deliciemos, em nossos corações, com cada Palavra que procede da Sua boca. Sim, Ele fez da obediência a mais alta expressão de nosso amor. "Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos" (João 14.15).

Perfeitamente Instruído

Por meio deste simples esboço de alguns dos usos da Palavra de Deus, e de algumas de nossas responsabilidades em relação a ela, você irá pelo menos reconhecer sua suprema importância para o crente. Permita-me, então, fazer uma ou duas observações práticas que poderão ser úteis a você e a outros jovens cristãos. Antes de mais nada, você verá a necessidade de se familiarizar com as Escrituras. Por exemplo, eu não poderia repelir uma tentação, como o Senhor o fez, a menos que estivesse familiarizado com as passagens das Escrituras que atendessem àquela necessidade específica. Do mesmo modo, podem existir muitas situações em que eu poderia me desviar simplesmente por não saber que o Senhor já revelou a Sua vontade na Sua Palavra para aquele determinado caso. Portanto, uma das primeiras obrigações do crente é estudar a Palavra de Deus. "Filho Meu, se aceitares as Minhas palavras, e esconderes contigo os Meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu coração ao entendimento, e se clamares por entendimento, e por inteligência alçares a tua voz, como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria: da Sua boca vem o conhecimento e o entendimento." (Provérbios 2.1-6). É neste espírito que você deve buscar e sistematicamente estudar as Escrituras, se deseja estar "perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2 Timóteo 3.17). Não estou dizendo: "Não leia outro livro", mas sim que faça da Bíblia sua principal companhia, e limite-se tanto quanto for possível a ler somente aqueles livros que irão ajudá-lo a compreendê-la, pois deveria ser o principal desejo de todo crente conhecer plenamente a mente e a vontade de Deus.

Meditar na Palavra

Devo também aconselhá-lo, se você lê muito, que medite bastante. "O preguiçoso não assará a sua caça" (Provérbios 12.27). Ele encontra seu prazer na caçada, mas uma vez que encontra uma caça, já se dá por satisfeito. Assim acontece com muitos ao lerem a Palavra. O seu prazer fica sendo adquirirem a verdade, e uma vez que conseguem, se satisfazem e acabam não desfrutando das suas bênçãos. Em uma passagem que já citei, o Senhor diz a Josué, "Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite" (Josué 1.8; leia também Salmo 1.2; 119.97; Provérbios 22.17,18; 1 Timóteo 4.15). Pois é pela meditação na presença do Senhor que toda a doçura, beleza e poder da Palavra nos são desvendados. Nunca, portanto, perca uma oportunidade de meditar nas Escrituras que você estiver lendo. E, finalmente, lembre-se sempre de estar totalmente dependente do Espírito de Deus para a compreensão da Palavra. "Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus" (1 Coríntios 2.11,12).
Se você ler desta maneira as Escrituras, será levado diariamente a uma familiarização crescente com a verdade, estando então em uma comunhão cada vez mais íntima com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo.

Décima Primeira Carta
A Palavra de Deus

Doze cartas a um novo convertido Parte X

Décima Carta
Ministério

É surpreendente notarmos que o ministério que é praticado nas chamadas "igrejas" da Cristandade não tem a mínima semelhança com o que encontramos na Palavra de Deus. Procure o mais que puder, desde os tempos quando a Igreja de Deus foi constituída, até à conclusão do registro inspirado (as Escrituras), e você não encontrará um traço sequer de haver existido a prática do ministério por um único homem. São mencionados apóstolos, anciãos (ou bispos), diáconos, pastores e doutores (ou mestres), e evangelistas; mas não existe qualquer indicação de algo parecido com os ministros e pregadores de nossos dias. Pois todas as denominações da Cristandade - salvo uma ou duas exceções pouco significativas - concordam em sua opinião quanto ao que é o ministério. Nas denominações, como regra geral, um homem é escolhido para cuidar ou tomar o encargo de uma "igreja" ou congregação, e dele se espera que ensine, pregue o evangelho e seja um pastor. Em poucas palavras, espera-se que nele estejam unidos os ofícios de um ancião, e os dons de um pastor e mestre, e também de um evangelista. Desta forma, é comum ocorrer que somente um homem tenha o completo e contínuo cuidado da mesma congregação por vinte, trinta ou quarenta anos; e não pode ser negado que os cristãos professos gostam que seja assim.
Mas a questão é: será que tal prática é bíblica? Conto com mais um pouco de sua paciência enquanto procuro responder a esta pergunta com base na própria Palavra de Deus. Nem preciso lembrá-lo de que nosso bendito Senhor escolheu apóstolos durante Sua jornada terrena, e que, após Sua ressurreição e ascensão, apareceu a Saulo e também o escolheu, fazendo dele, de uma forma especial, o apóstolo dos Gentios (Leia Atos capítulos 9, 22, 26 e 1 Coríntios capítulo 15).

Apóstolos

Os apóstolos, como todos reconhecem, tiveram um lugar único e peculiar foram dotados de autoridade e dons extraordinários e nunca tiveram sucessores. Não deveria detê-lo por mais tempo falando sobre isto pois a inexistência de sucessores dos apóstolos é geralmente aceita fora das igrejas Romana e Anglicana (ao menos no Ocidente). Portanto creio que duas passagens serão suficientes. Pedro, escrevendo aos crentes de seu próprio povo "aos estrangeiros dispersos no Ponto", etc. diz, "eu procurarei (por meio de sua carta) em toda a ocasião que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas" (2 Pedro 1.15). Assim ele os entregava, para o futuro, à direção estabelecida pela Palavra escrita (e não pela sucessão apostólica). Do mesmo modo, Paulo, ao se dirigir aos anciãos da Igreja em Éfeso, alertando-os para as dificuldades e perigos que haviam de vir, diz, "Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça" (Atos 20.32). Portanto, os dois grandes apóstolos o da circuncisão, e o da incircuncisão concordavam neste ponto; igualmente declaram que a fonte onde a Igreja deveria buscar o seu suprimento deveria ser a Palavra de Deus. Fica bem evidente que eles não previam sucessores para exercer o seu ofício.

Bispos e Anciãos

O ofício seguinte, na ordem que nos é apresentado na Palavra de Deus, é o de bispos ou anciãos. Digo bispos ou anciãos pois na verdade nada mais são do que dois nomes para o mesmo ofício. O capítulo 20 de Atos torna isto bem evidente e elimina qualquer discussão que se pretenda a respeito. Lemos ali que Paulo mandou chamar os "anciãos da igreja" (vers. 17). Ao se dirigir a eles, ele os chama de "bispos" (vers. 28). Bem, eles nunca são encontrados no singular. A Igreja em Éfeso, no versículo que citamos, tinha mais de um bispo. Paulo chamou os "anciãos" da Igreja. O mesmo ocorre em Atos 14.23 quando Paulo e Barnabé elegeram "anciãos em cada igreja". Também na epístola aos Filipenses lemos de "bispos e diáconos" (Filipenses 1.1), "anciãos" (Atos 15.23) ou "presbíteros" (Tito 1.5).

Pastores e Doutores

Passando agora à questão dos dons, que se trata de algo distinto dos ofícios, iremos encontrar "pastores e doutores" (ou mestres, segundo outras traduções) (Efésios 4.11). Vou tratar de ambos de uma só vez pois, na verdade, eles encontram-se ligados nas Escrituras, e ligados de uma forma tão estreita na passagem citada como que para indicar que poderiam ser encontrados em uma mesma pessoa. Será que isto autorizaria uma só pessoa a tomar o encargo de toda uma congregação? De maneira nenhuma, pois lemos que "na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores", sendo apresentados a seguir os nomes de pelo menos cinco deles (Atos 13.1).
Para aqueles que pensam que Timóteo e Tito formam uma evidência em contrário, basta uma breve análise para que isto também seja esclarecido. A Tito é dito claramente que ele havia sido deixado em Creta para que pusesse "em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesse presbíteros" (Tito 1.5); e a Timóteo são mostradas quais as qualificações dos bispos (1 Timóteo 3), e é expressamente ordenado para não impor "precipitadamente as mãos" a ninguém (1 Timóteo 5.22), isto é, para não designá-los para o ofício. Portanto nada pode estar mais claro do que o fato de que estes dois, Timóteo e Tito, estavam agindo com a autoridade que lhes foi delegada pelo apóstolo e como tais estavam fazendo um tipo de supervisão geral, tendo ainda autoridade para nomear homens idôneos para o ofício de bispos e diáconos; uma autoridade exercida por indivíduos, e não por igrejas. E ela nunca foi exercida senão pelos apóstolos, ou no caso que acabamos de ver, por seus delegados diretos, nunca tendo sido transmitida a qualquer sucessor, e havendo consequentemente cessado com a morte dos apóstolos.

Evangelistas

Falta ainda outro dom que deve ser notado - o dom de evangelista (Efésios 4.11). Vem depois de "profetas", mas vamos tratar dele antes devido ao seu caráter. Como o próprio nome diz, o trabalho do evangelista é pregar o evangelho; portanto o alvo do seu ministério não é a Igreja, mas o mundo. O próprio Senhor descreve a responsabilidade do evangelista quando ordena aos Seus apóstolos, "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura" (Marcos 16.15). Tentar limitar o trabalho de um evangelista a uma congregação, ou mesmo a uma única vila ou cidade, é ignorar o propósito do seu dom. Por isso o apóstolo Paulo, quando fala de si mesmo a este respeito, diz, "Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma" (Romanos 1.14,15).
Voltamos à questão: De acordo com a Palavra de Deus, qual é o verdadeiro caráter do ministério? Em primeiro lugar, ele flui de Cristo que está à direita de Deus, como Cabeça da Igreja. É Ele a fonte. "Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo. Pelo que diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens... E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo" (Efésios 4.7-13). Eis um princípio importante: os dons não foram dados à Igreja, mas aos homens para benefício da Igreja. Sendo assim, aqueles que os receberam são responsáveis - não perante a Igreja, mas diante do Senhor - pelo seu exercício. Portanto a Igreja fica impossibilitada de designar pastores e doutores (ou mestres) ou qualquer dos dons mencionados, uma vez que vimos que a responsabilidade da Igreja é de receber o ministério de todo aquele que foi qualificado pelo Senhor para a sua edificação. Assim como o ofício apostólico de Paulo, o dom não vem "da parte dos homens, nem por homem algum" (Gálatas 1.1), mas do Cristo ressuscitado.

No Poder do Espírito

Existe outra verdade de igual importância, a saber, que os dons só podem ser adequadamente exercitados no poder do Espírito Santo. A presença do Espírito Santo é a característica marcante desta dispensação. Ele habita na casa de Deus, a Igreja, e habita também nos crentes (João 7.39; 14.16,17; Atos 2; Romanos 8.15,16; 1 Coríntios 6.19; 2 Coríntios 6.16; Efésios 1.13; 2.22; etc.). Portanto, quando os crentes estão reunidos, conforme nos ensina 1 Coríntios 12 e 14, o Espírito Santo atua soberanamente nos membros do corpo de Cristo e também por meio destes, de acordo com o dom de cada um: "Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;... mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer" (1 Coríntios 12.8-11). Qualquer regra humana para o ministério na assembléia não só é incompatível com esta verdade, como chega ao ponto de ignorar totalmente o direito que o Espírito de Deus tem de ministrar por meio de quem Ele escolher. Com toda a certeza isto é algo extremamente solene e não deve ser tratado com leviandade. Mas como é triste vermos que isto é menosprezado pela maioria! Além do mais, a presença da Espírito Santo é de tal forma esquecida, que a autoridade e as pretensões do homem a substitui, sendo isto aceito e considerado perfeitamente correto pela grande maioria dos que professam ser de Cristo.
Você deve ter o cuidado de observar que as Escrituras não ensinam que todos têm liberdade para ministrar, mas que deve haver liberdade para o Espírito Santo ministrar por meio de quem Ele quiser. Existe uma enorme diferença entre ambas as coisas. A primeira seria democracia, e não há nada mais longe dos pensamentos de Deus do que isto; a segunda envolve a manutenção do Senhorio de Cristo no poder do Espírito; a sujeição de todos os membros do corpo à Cabeça, e completa dependência da direção e sabedoria do Espírito de Deus. No primeiro caso, o homem é quem toma a primazia; no segundo, Cristo é reconhecido como supremo.

Sujeição à Palavra de Deus

Enquanto afirmamos estes princípios cardeais do ministério, devemos ser cuidadosos em lembrar que todo verdadeiro ministério deve estar em sujeição à Palavra de Deus e em conformidade a ela. Isto está claro nas instruções de 1 Coríntios 14. O apóstolo chega até mesmo a dar instruções precisas concernentes ao exercício dos dons, e segue dizendo, "Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor" (1 Coríntios 14.37). À assembléia é dado com isso o direito, ou mais ainda, a responsabilidade de julgar se aquilo que está sendo ministrado está de acordo com a verdade (1 Coríntios 14.29), e rejeitar tudo aquilo que não esteja de acordo com este critério. Portanto, não se trata de algo deixado à mercê de homens voluntariosos, mas é algo dado como salvaguarda para inspecionar e repreender toda manifestação que seja da carne e não do Espírito.
Pode-se acrescentar algo mais. Após tratar da questão dos dons, e mostrar que o seu exercício sem amor é de nenhum valor (1 Coríntios 12 e 13), o apóstolo ensina que o propósito do exercício dos dons é a edificação da assembléia (1 Coríntios 14.3-5). Quão maravilhosos são os caminhos de Deus! Reunidos pelo Espírito ao redor da Pessoa de nosso Senhor Jesus, à Sua mesa, para celebrar a Sua morte, Ele dirige os nossos  corações em adoração e louvor, e então Ele ministra a nós aquilo que vem diretamente de Deus por meio dos vários membros do corpo de Cristo. Ocorre, assim, uma dupla ação do Espírito. Ele nos capacita a oferecer os sacrifícios de louvor a Deus e, consciente das nossas necessidades, provê a palavra de sabedoria, conhecimento ou exortação, conforme nossa necessidade no momento.
Creio que atingi os limites desta minha carta. De qualquer forma, você mesmo será capaz de descobrir mais sobre este assunto, e assim verificar se o que já lhe adiantei está de acordo com a Palavra de Deus. "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Tessalonicenses 5.21). É recomendável ainda a leitura de Romanos 12.4-8 e 1 Pedro 4.10,11

Doze cartas a um novo convertido Parte IX

Nona Carta
Adoração

Havendo considerado a questão referente a onde está nosso lugar de adoração, podemos prosseguir tratando agora da própria adoração. As Escrituras estão repletas de instruções a respeito deste assunto e, me atrevo a dizer, será difícil encontrar algum assunto que seja tratado com tanta indiferença, e até mesmo com ignorância, entre os cristãos professos. E vou ainda mais longe ao afirmar que a sua real importância dificilmente é compreendida pelos crentes que não estejam reunidos somente ao nome de Cristo. Não quero dizer com isto que não existam pessoas em todas as denominações que estejam desfrutando do gozo de adorar diante de Deus; tais pessoas sempre existiram em toda a história da Igreja. Mas o ponto em que insisto é que a adoração coletiva dos santos - ou a que diz respeito a adorar em assembléia - é quase que totalmente desconhecida em qualquer das muitas denominações da cristandade.

O que é Adoração

Para dar um exemplo, em um livro que tem tido grande circulação, escrito por um dos mais conhecidos pregadores de nossos dias, é dito, quando se refere a este assunto, que ouvir sermões é uma das mais elevadas formas de adoração. O escritor sustenta essa surpreendente declaração com o fato de que a pregação tende a gerar na alma os mais santos desejos e aspirações. Que a exposição da verdade pode levar à adoração ninguém iria negar, mas até uma criança perceberia facilmente a diferença entre adorar e escutar a verdade. Na pregação - se estiver sendo apresentada a verdade de Deus - o servo traz uma mensagem de Deus para os ouvintes; na adoração, os santos são levados à presença de Deus para apresentarem seus louvores e adoração. Portanto as duas coisas são de um caráter completamente diferente.
Oração também não é adoração. Isto pode ser entendido pelo simples fato de que um pedinte não é um adorador. Assim, se eu me dirigir a um Rei com um pedido, me apresentarei diante dele em um determinado caráter, mas se for admitido à sua presença para render-lhe uma homenagem já não sou mais um pedinte. Assim também, quando me uno a outros crentes em oração e intercessão, estamos diante de Deus como pessoas que buscam determinadas bênçãos, mas quando nos prostramos diante dEle em adoração, estamos mais dando do que recebendo; estamos diante dEle sem esperar nada em troca, mas com nossos corações transbordantes, aos Seus pés, em adoração.
Ações de graças estão intimamente conectadas com adoração, mas na sua essência não se trata de adoração. Pois as ações de graça são consequência de bênçãos recebidas, seja pela providência, seja como resultado da redenção. A consciência da graça e bondade de Deus em nos prover, em nos abençoar com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, nos constrange a derramar ações de graças em Sua presença; e então, necessariamente, somos levados a refletir sobre o caráter e atributos de Deus que assim Se apraz em nos envolver com provas do Seu amor e cuidado; e consequentemente as ações de graças se transformam em adoração.

Ocupados com Deus

Mas na adoração - considerada no caráter que lhe é peculiar - perdemos de vista a nós mesmos e as nossas bênçãos, e ficamos ocupados com o que Deus é em Si mesmo, e o que Ele é para nós conforme revelado em Cristo. Guiados pelo Espírito Santo, passamos para um plano acima de nós mesmos e contemplamos Deus na variedade dos Seus atributos e em Sua glória (pois embora Deus nunca tenha sido "visto por alguém, o Filho unigênito, que está no seio do Pai, este O fez conhecer". João 1.18); e, inundados pela manifestação da Sua santidade, majestade, amor, misericórdia e graça, nada mais nos resta senão nos ajoelharmos aos Seus pés, rendendo, em Cristo e por meio de Cristo, a homenagem de nossos corações. 
Isto será observado com maior clareza se nos voltarmos para o ensino das Escrituras. A mulher de Samaria perguntou ao Senhor a respeito deste assunto, ou mais particularmente, a respeito do lugar de adoração. Em Sua resposta Ele Se dignou a ir muito além dos limites da pergunta feita pela mulher. "Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-Me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim O adorem. Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade" (João 4.21-24).

O Lugar de Adoração e os Adoradores

Em primeiro lugar, aqui o Senhor ensina claramente que de um certo momento em diante não haveria mais um lugar especial de adoração sobre este mundo. Jerusalém havia sido o lugar sagrado onde estava o templo de Deus - o lugar para o qual o povo de Deus se dirigia, ano após ano, vindos de todos os pontos da terra (leia o Salmo 122). Mas, juntamente com a rejeição de Cristo, a Sua casa, até então casa de Deus, foi deixada deserta (Mateus 23.37-39), e desde então nunca mais existiu uma casa material de Deus neste mundo. A Igreja é agora a habitação de Deus em Espírito (Efésios 2.22), e nosso lugar de adoração (como foi visto na última carta) está agora além do véu rasgado, na própria presença de Deus.
Em segundo lugar, Ele nos diz quais podem ser os adoradores - aqueles que adorarão ao Pai em espírito e em verdade; e são estes que o Pai procura, ou seja, somente crentes - como aquela mulher de Samaria que o Pai buscou e encontrou na Pessoa do Filho - que, como filhos, Deus tomaria para Si em um estreito relacionamento com a Sua própria Pessoa. Somente tais pessoas poderiam adorar o Pai em espírito e em verdade. O apóstolo afirma a mesma coisa quando diz, "Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito (em algumas traduções lemos: "que adoramos pelo Espírito de Deus"), e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne" (Filipenses 3.3), que são as características patentes encontradas naqueles que verdadeiramente crêem. A epístola aos Hebreus, em seu capítulo 10, nos ensina que é impossível que alguém se aproxime de Deus até que seus pecados tenham sido apagados; e também é impossível que o faça sem fé (Hebreus 11.6). Além do mais, já que ninguém mais além dos que  crêem têm o Espírito de Deus (veja Romanos 8.14-16; Gálatas 4.6), ninguém mais pode adorar em espírito, ou pelo Espírito de Deus.
Embora esta verdade seja por demais evidente, e até mesmo amplamente aceita de forma teórica, deve ser ressaltada cada vez mais, pois o que realmente acontece, na chamada "adoração pública", que normalmente mistura crentes e incrédulos, é que trata-se de uma verdade ignorada ou obscurecida. Todos, sejam salvos ou não, são convidados a se unirem em uma mesma oração, e em um único cântico de louvor, em total esquecimento das claras palavras de que são somente os "verdadeiros adoradores" que podem adorar o Pai em espírito e em verdade.

O Caráter da Adoração

Em terceiro lugar, o Senhor define o caráter da adoração. Deve ser "em espírito e em verdade". Adorar em espírito significa adorar de acordo com a verdadeira natureza de Deus, e no poder daquela comunhão que o Espírito de Deus concede. A adoração espiritual está assim em contraste com o formalismo, a religiosidade e as cerimônias das quais a carne é capaz. Adorar a Deus em verdade é adorá-Lo em conformidade com a revelação que Ele tem dado de Si próprio. Os Samaritanos não adoravam a Deus nem em espírito nem em verdade. Os Judeus adoravam a Deus em verdade, dentro das limitações da revelação ainda incompleta, mas não O adoravam em espírito. Agora, para adorar a Deus, são necessários ambos. Ele deve ser adorado de acordo com a verdadeira revelação de Si próprio (ou seja, em verdade), e em conformidade com a Sua natureza (isto é, em espírito).
Porém a revelação de Deus para nós está na Pessoa de Cristo, e em conexão com a Sua obra, pois na cruz, e por meio da cruz, foi manifestado tudo o que Deus é. A morte de Cristo é, portanto, o fundamento de toda a adoração cristã, pois é pela eficácia de Seu precioso sangue que somos qualificados a entrar na presença de Deus; e uma vez que aquela morte é para nós a revelação de tudo o que Deus é, de Sua majestade, Sua santidade, Sua verdade, Sua graça, e Seu amor, é por meio da contemplação daquele tremendo sacrifício que nossos corações, trabalhados pelo Espírito de Deus, são levados a transbordar em adoração e louvor. Sendo assim, a adoração está associada, de uma forma muito especial, com a mesa do Senhor, pois é quando nos reunimos ao redor dela, como membros do corpo de Cristo, que anunciamos a Sua morte. Usando as palavras de outro, "É impossível separar a verdadeira comunhão e adoração espiritual da perfeita oferta que Cristo foi para Deus. No momento em que nossa adoração se separa da eficácia daquela obra, e da consciência da infinita aceitação de Jesus diante do Pai, ela torna-se carnal, chegando até mesmo a ser uma forma de deleite da carne".
Este é o segredo da degeneração da adoração na cristandade, pois onde a Mesa do Senhor perdeu o seu lugar ou seu verdadeiro caráter, o verdadeiro motivo da adoração foi obscurecido. Pois do que é que somos especialmente lembrados quando nos encontramos à mesa do Senhor? De Sua morte! E é naquela morte que somos capacitados a enxergar o que Deus é para nós, e o que Cristo é para Deus, bem como a infinita eficácia do Seu sacrifício em nos levar, sem mancha alguma, até a imediata presença de Deus - na luz, assim como Ele próprio está na luz. A graça, o eterno amor de Deus, além da graça e inextinguível amor de Cristo, são igualmente demonstrados às nossas almas, à medida que recordamos Aquele que glorificou a Deus em Sua morte na cruz, carregando os nossos pecados. E, tendo ousadia para entrar no santuário pelo sangue de Jesus, nos prostramos e adoramos diante de Deus, enquanto cantamos:
"Oh Deus!" Tu já tens glorificado
Teu santo, bendito, Filho eterno;
O Nazareno, o Crucificado,
Assentado exaltado em Teu trono!
A Ele, em fé, clamam os Teus,
Digno és Tu, "Oh Cordeiro de Deus".
Deixando que medite mais sobre este assunto, despeço-me, sinceramente, em Cristo.

Doze cartas a um novo convertido Parte VIII

Oitava Carta
O Verdadeiro Lugar de Adoração

Nesta carta eu me proponho a indagar: Onde é o lugar de adoração do cristão? Devo apenas lembrá-lo de que a expressão "lugar de adoração" é muito usada, e embora eu admita plenamente que o seu significado seja simplesmente o lugar onde crentes e outras pessoas se congregam aos domingos, ainda assim é da maior importância não utilizarmos, nas coisas divinas, palavras que possam criar uma impressão errada ou dar um falso significado da verdade de Deus. Nosso único recurso, portanto, é buscarmos nas Escrituras a resposta para nossa pergunta.
Sendo assim, deixe-me dirigir sua atenção para a seguinte passagem: "Tendo pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela Sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa". (Hebreus 10.19-22) De uma forma geral, vemos nesta passagem três pontos principais: o sangue de Jesus, o véu rasgado e o Sumo Sacerdote (literalmente, o Grande Sacerdote) sobre a casa de Deus. É sobre o fundamento destas três coisas que somos exortados a nos aproximar de Deus para adoração. Se examinarmos um pouco o significado de cada uma delas, encontraremos a resposta à nossa pergunta.

A Eficácia do Sangue de Jesus 

Em primeiro lugar, temos ousadia para entrar no santuário pelo sangue de Jesus. Se você acompanhar o raciocínio do apóstolo, verá que fica evidente que o sangue de Jesus é apresentado em contraste com o "sangue dos touros e dos bodes" (Hebreus 10.4). Na verdade, o assunto principal de toda a primeira parte do capítulo é a eficácia do sangue de Jesus em contraste com a ineficácia do sangue de touros e bodes. O fato de os sacrifícios do Antigo Testamento terem sido oferecidos continuamente, ano após ano, é apresentado como prova de que os adoradores nunca eram realmente purificados até o ponto de não terem mais consciência dos pecados; pois na repetição dos sacrifícios havia, ano após ano, uma contínua lembrança dos pecados (Hebreus 10.1-3). E a razão disto era que "é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados" (Hebreus 10.4). Por esta razão, os inúmeros sacrifícios, dos mais variados tipos, não faziam mais do que demonstrar sua completa ineficácia, embora tivessem sido ordenados por Deus tendo em vista o Único Sacrifício que era dessa forma anunciado.
Após demonstrar isto, o apóstolo traz à tona, no mais claro contraste, o valor do sacrifício de Cristo (leia cuidadosamente Hebreus, do versículo 5 ao 14); e para resumir e deixar tudo estabelecido em uma única sentença declara: "Porque com uma só oblação (ou oferenda) aperfeiçoou para sempre os que são santificados". (vers. 14) As oferendas ou sacrifícios sob a lei nunca tornavam perfeitos os adoradores, mas com uma só oferenda Cristo nos tornou perfeitos para sempre. Esta verdade é tão vasta e abrangente, que é necessário meditar sobre ela mais e mais, a fim de assimilá-la, ainda que em parte. Pois ela implica, não somente que eu agora não tenho mais consciência de pecados - se me encontro sob o valor do sacrifício de Cristo - mas também que eu nunca mais preciso ter qualquer consciência de pecados no aspecto aqui apresentado; que por meio da eficácia daquele sangue precioso tenho agora o direito, e terei sempre esse direito, de entrar na presença de Deus. Em resumo, que nada poderá jamais me privar do lugar que me foi dado, na maior proximidade da Sua presença, pois por uma oblação ou oferenda Ele aperfeiçoou para sempre aqueles que são santificados. Por meio daquele sacrifício eu recebi uma credencial de acesso perpétuo à presença de Deus.

O Véu Rasgado

O segundo ponto é o véu rasgado. O sangue de Cristo nos deu o direito da aproximação; e em seguida temos, "pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela Sua carne". (Hebreus 10.20) Vemos aqui, mais uma vez, um contraste com a velha dispensação, pois lemos no capítulo 9 de Hebreus: "Mas no segundo (isto é, no santo dos santos, além do véu) só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo: dando nisto a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo". (Hebreus 9.7-9) O povo estava, portanto, totalmente excluído, e isto porque, como já vimos, não era possível que o sangue de touros e bodes tirasse os pecados.
Por conseguinte a morte era certa, pelo juízo de Deus, para todo aquele, exceto o sumo sacerdote, que se aventurasse a entrar além daquele terrível véu (Levítico 16.1,2; Números 15, 16). Mas tão logo foi consumado o sacrifício de Cristo na cruz, o véu foi rasgado de alto a baixo (Mateus 27.51), pois por meio de Sua morte Ele glorificou a Deus em cada atributo do Seu caráter concernente à questão do pecado, e por aquela única oferta aperfeiçoou para sempre aqueles que são santificados. Daquele momento em diante o véu estava rasgado para significar que o caminho para o santo dos santos estava aberto a partir de então. Pois Aquele que rasgou o véu para nos dar entrada, igualmente tirou o pecado que nos excluía, e é agora privilégio de cada crente, firmado na eficácia do sacrifício de Cristo, entrar sempre no santo dos santos, tendo toda liberdade de fazê-lo pelo sangue de Jesus.

Nosso Sumo Sacerdote

Há, porém, uma terceira coisa que é indicada, da qual podemos fazer uma breve menção antes de chamar sua atenção para o resultado final destas benditas verdades, a saber, que temos "um grande sacerdote sobre a casa de Deus". (Hebreus 10.21) E onde está o nosso Sumo Sacerdote? "E assim todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados; mas Este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os Seus inimigos sejam postos por escabelo de Seus pés. Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados." (Hebreus 10.11-14) Aprendemos assim que nosso Sumo Sacerdote está sentado à direita de Deus e que essa posição é devida ao fato de Sua obra sacrificial ter sido consumada. Daí em diante a Sua presença no Céu é um testemunho e uma prova da perpétua eficácia de Sua obra, e consequentemente um  estímulo permanente para encorajar o Seu povo a entrar ousadamente no santo dos santos - para além do véu já rasgado.

Convidados a Entrar

Tais são os três imensos fatos - o sangue de Jesus, o véu rasgado, e o Sumo Sacerdote sobre a casa de Deus - para os quais o Espírito Santo dirige a nossa atenção antes de nos exortar a nos achegarmos "com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa" (Hebreus 10.22). E o lugar ao qual somos convidados a nos achegar, ou no qual devemos entrar, é o mais santo - o santo dos santos. É o lugar que foi representado como um tipo pelo santo dos santos que existia no tabernáculo no deserto, o lugar no qual Cristo, nosso Representante e nosso Precursor, já entrou (Hebreus 4.14; 6.19,20). Portanto, nosso lugar de adoração está na imediata presença de Deus, no próprio lugar onde Cristo ministra a nosso favor como Sumo Sacerdote.
É verdade que ainda nos encontramos aqui neste mundo como estrangeiros e peregrinos, quando se trata da questão do sacerdócio. Mas este mundo nunca pode ser o lugar de nossa adoração, pois temos "ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus", e é somente ali que nossa adoração pode ser oferecida e aceita por Deus. Se eu quisesse render uma homenagem ao Rei, teria de fazê-lo diante do trono real para que fosse recebido. Quanto mais se desejo adorar a Deus! Devo fazê-lo no lugar onde Ele está assentado no Seu trono, e onde posso entrar com este propósito graças ao direito que Ele me deu para sempre poder fazê-lo, por Sua inefável graça, por meio do precioso sangue de Cristo. Portanto é lá nas alturas, para além do véu rasgado, na Sua própria presença, e em nenhum outro lugar, que o Seu povo deve adorar. E que maravilhoso privilégio é este; que graça inexprimível Ele nos concedeu, que desfrutássemos de constante liberdade de acesso diante dEle, para ali nos prostrarmos em adoração e louvor!
No sangue de Cristo, eis-nos lavados;
Além do véu, tão santo lugar!
Diante do trono caímos prostrados,
Para, Ó Deus! a Ti adorar! 43
Com esta verdade claramente diante de nós, tenho certeza de que você poderá perceber que se falarmos de um lugar de adoração aqui neste mundo, estaremos obscurecendo o ensino das Escrituras, além de estarmos privando a nós mesmos de nossos privilégios.

O Verdadeiro Tabernáculo

Não me esqueci de que em muitos casos, como já disse, a expressão "lugar de adoração" pouco representa no modo como é usada; mas, por outro lado, ela tem um significado muito grande para algumas pessoas, dando-lhes a idéia de edifícios santos e templos consagrados. Os judeus tinham um "santuário terrestre" (Hebreus 9.1), um que fora construído segundo a direção de Deus e de acordo com o Seu mandamento. Porém, construir um "santuário", um templo "consagrado" ou um edifício "santo" nos dias de hoje, é o mesmo que voltar ao judaísmo e ignorar que "temos um Sumo Sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem". (Hebreus 8.1,2) Portanto não pode haver um lugar de culto ou adoração neste mundo, e chamar a um edifício desta forma, mesmo que inconscientemente, é desprezar, para não dizer mais, o lugar e o privilégio do crente, além de falsificar a verdade do cristianismo.

Todos os Crentes: Sacerdotes

Talvez seja necessário discorrer sobre mais um assunto, ou seja, que todos os crentes igualmente possuem o mesmo privilégio de acesso ao santo dos santos. As Escrituras, ou melhor dizendo, as passagens das Escrituras concernentes à Igreja, ignoram qualquer classe consagrada de homens que seja distinta dos outros crentes, que conte com privilégios especiais ou com direitos de se aproximar de Deus como intermediários de outros homens. Todos os crentes são igualmente sacerdotes (1 Pedro 2.9) e, portanto, todos estão igualmente qualificados para entrar na presença de Deus como adoradores. A passagem à qual nos referimos em Hebreus 10.19-22 é categórica a este respeito. Guarde bem estas palavras: "Tendo pois, irmãos". Isto é dirigido a todos os crentes, e todos são lembrados que têm ousadia para entrar no santuário pelo sangue de Jesus.
E mais uma vez o apóstolo diz: "Cheguemo-nos" associando-se a todos aqueles aos quais está se dirigindo, pois na verdade ele mostra que se encontra, junto com todos os outros, na mesma posição perante Deus quanto à adoração. É muito importante que se compreenda esta verdade, principalmente nestes dias quando vemos um incremento do sistema sacerdotal com suas pretensões supersticiosas. Ambas as coisas estão ligadas. Se você tem um lugar terrestre de adoração, então necessita de uma ordem clerical de sacerdotes; e estas duas coisas combinadas constituem uma afronta ao verdadeiro cristianismo. Por isso é nossa incumbência batalharmos "pela fé que uma vez foi dada aos santos" (Judas 3).

Adorando além do Véu

Mas não devemos nos dar por satisfeitos apenas com a doutrina a respeito deste assunto. A questão para nossas almas é: Sabemos o que significa nos achegarmos para adorar no santíssimo lugar? Gostaria de frisar solenemente este ponto; pois nada menos do que isto irá satisfazer o coração dAquele, por meio de cujo sangue precioso nós recebemos tal inexprimível privilégio. Que nunca nos contentemos com menos do que o pleno desfrutar desta verdade. Se tivéssemos visto Arão, no dia da expiação, levantando o véu sagrado para entrar na terrível presença de Deus, teríamos ficado impressionados, não apenas com a solenidade do ato, mas também com a maravilhosa posição de favor e proximidade de Deus que ele ocupava em virtude de seu sacerdócio. Todos os crentes têm agora a mesma posição. Que possamos, cada vez mais, ter consciência do que podemos encontrar dentro do véu rasgado, para que tenhamos uma compreensão mais completa da eficácia daquele único sacrifício que nos introduziu na presença de Deus, sem qualquer mancha sobre nós, e sem um véu para nos separar dEle.